Pesquisas feitas no Brasil e em diversas partes do mundo comprovam excelência da CoronaVac

A CoronaVac, vacina contra a Covid-19 produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, teve sua excelência reconhecida por diversas pesquisas e análises populacionais, feitas no Brasil e no exterior, desde o ano passado. Um dos principais estudos foi o ensaio clínico de fase 3 realizado pelo Butantan em parceria com 16 centros de pesquisa brasileiros, que testou o imunizante em cerca de 13 mil voluntários – de acordo com o diretor médico de pesquisa clínica do instituto, Ricardo Palacios, é ele que está por trás da recente aprovação da vacina pela Organização Mundial da Saúde (OMS). 

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Muitas vezes, porém, os achados das pesquisas podem ser diferentes, ainda que os cientistas tenham avaliado a ação do mesmo produto. São inúmeras as variáveis que interferem nos resultados, segundo Palacios. “Os estudos que avaliam eficácia são diferentes entre si devido às escolhas na elaboração dos protocolos. Assim, podem diferir no perfil da população estudada (sexo, faixa etária, existência de comorbidades ou não, exposição prévia ao agente em questão etc.), na situação epidemiológica do organismo em questão, no tempo, na existência de cepas variantes e no intervalo entre as doses, além do poder da amostra do estudo (ou seja, o número de participantes)”, resume o cientista. Ele ressalta também que nem sempre os métodos científicos são padronizados. Por essas razões, é preciso ter cautela ao compará-los. 

O mais importante diz respeito ao alcance das pesquisas e análises populacionais. Juntas, elas atestaram tanto a eficácia (proteção que uma vacina apresenta em condições ideais, em um estudo), quanto a efetividade (proteção que uma vacina apresenta no mundo real) da vacina, assim como sua ação contra as variantes do novo coronavírus e resposta imune. A seguir, conheça as mais relevantes.

No Brasil

Os resultados finais do estudo clínico de fase 3 da CoronaVac, anunciados pelo Butantan em abril deste ano, demonstraram que a eficácia geral do imunizante é de 50,7%, e pode chegar a 62,3% quando o intervalo entre a primeira e a segunda dose da vacina for de 21 a 28 dias. O Butantan também testou a CoronaVac em nível populacional no Projeto S, o estudo clínico de efetividade inédito no mundo que imunizou toda a população adulta do município de Serrana, no interior de São Paulo. A vacinação fez os casos sintomáticos de Covid-19 despencaram 80%, as internações, 86%, e as mortes, 95%. Os resultados mostraram ainda que a vacinação protege tanto os adultos que receberam as duas doses quanto as crianças e adolescentes com menos de 18 anos, que não foram vacinados.

Já uma pesquisa realizada pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) demonstrou eficiência de 50,7% a partir de duas semanas após a vacinação completa do imunizante do Butantan contra o SARS-CoV-2. A conclusão foi obtida após a vacinação de mais de 20 mil funcionários do complexo hospitalar, cujo número de casos caiu até 73% (a partir de cinco semanas). “Nesse estudo, falamos em eficiência da vacina porque é uma aplicação na vida real, diferente do que é realizado nos ensaios clínicos, que avaliam a eficácia em condições específicas e consideradas ideais. Ele é fundamental porque corrobora os resultados obtidos nos estudos clínicos do Butantan”, afirma a chefe da Divisão de Moléstias Infecciosas e Parasitárias do HCFMUSP, Anna Sara Levin.

Outro aspecto essencial da vacina também avaliado no país foi seu comportamento diante das variantes do novo coronavírus. Os dados preliminares de uma pesquisa que está sendo realizada pelo Instituto Butantan em conjunto com o Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) apontaram que a vacina do Butantan contra a Covid-19 é capaz de combater as variantes P.1 (também chamada de amazônica) e P.2 (do Rio de Janeiro). A análise preliminar foi baseada nas amostras de 35 participantes vacinados no ensaio clínico de fase 3 feito pelo Butantan — já o estudo completo inclui um número maior de amostras, cujos resultados devem ser divulgados mais adiante. 

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As vacinas compostas de vírus inativados, como a CoronaVac, parecem apresentar uma vantagem contra as variantes do SARS-CoV-2 até o momento. Isso porque ela apresenta todas as proteínas do vírus, e não apenas a proteína Spike (que o vírus utiliza para infectar as células). Assim, caso surjam alterações no vírus, as demais partes não modificadas ainda geram uma resposta imune. 

Pelo mundo

Dados similares foram compilados pela Sinovac, com base em quatro estudos clínicos de aplicação do imunobiológico realizados na China, no Brasil e na Turquia. De acordo com a farmacêutica, após a vacinação, a taxa de soroconversão (presença de um determinado anticorpo em um indivíduo) dos anticorpos neutralizantes contra 12 cepas do SARS-CoV-2 variou de 80% a 100%. Tais cepas incluem a mutação D614G, que está relacionada às variantes P.1, P.2 e N9, comuns no Brasil.

No Uruguai, onde metade da população já havia recebido ao menos uma dose até o início de junho, dados do governo mostram que a CoronaVac apresentou 61% de efetividade contra a Covid-19, além de reduzir em 95% a mortalidade. Por fim, os cientistas também se debruçaram sobre a imunogenicidade da vacina, isto é, sua capacidade de provocar uma resposta imune no organismo. Ao avaliar a presença de determinados tipos de anticorpos neutralizantes do novo coronavírus, pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Chile observaram que 90% dos vacinados apresentaram anticorpos contra o SARS-CoV-2 após a segunda dose da vacina. 

Já na Turquia, a CoronaVac apresentou eficácia geral de 83,5%, segundo estudo da Universidade Hacettepe. Enquanto na Indonésia, uma análise populacional de profissionais de saúde vacinados mostrou uma redução de 94% do número de casos sintomáticos. 

A aprovação da CoronaVac, tanto pelas pesquisas quanto pela OMS, é um passo importante no combate à pandemia no mundo. “A validação do uso emergencial da CoronaVac pela OMS permitirá que ela seja incorporada no mecanismo COVAX, que distribui vacinas para os países de baixa e média renda. O que vai facilitar o acesso às populações que têm recebido menos vacinas até o momento”, explica Ricardo Palacios, do Butantan.PAÍSINSTITUIÇÃOAMOSTRAGEMRESULTADOSBrasilInstituto Butantan – Ensaios Clínicos de Fase 313 mil profissionais de saúde 

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